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Há exatos 20 anos, o Brasil conquistava o pentacampeonato na Copa do Japão

Ao Jornal A União, Marcelinho Paraíba diz que guarda a frustração de não ter participado da competição

por publicado: 30/06/2022 08h45 última modificação: 30/06/2022 08h45
Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

por Fabiano Sousa*

Como era o Brasil em 2002? Assim como em outras épocas, grandes fatos da contemporaneidade na cultura, na economia, na política e no esporte marcaram o cotidiano dos brasileiros. Tanto, que vários dos fatos ficam lembrados ano após ano, ao ponto de serem relembrados, cada qual, com saudade ou alívio, de acordo com o dejavú da frustração ou da conquista.

É preciso mergulhar no passado para reviver as emoções dos fatos marcantes do início do século, em nosso país. Em 2002, entre vários fatos que ocorreram no Brasil, três se destacaram. O país perdia Chico Xavier, médium, filantropo e um dos mais importantes expoentes do espiritismo, a economia brasileira lançava a nota de R$ 20 na tentativa de impulsionar a moeda nacional. E por falar em vinte, é esse o tempo que marca a última conquista de uma Copa do Mundo da nossa seleção brasileira. Há exatos vinte anos, o Brasil vencia a Alemanha, por 2 a 0, e conquistava o pentacampeonato mundial de futebol, disputa na Coreia/Japão.

Como dito antes, é preciso voltar ao passado para reviver, no presente, as emoções que marcaram a conquista do penta. Em se tratando de um personagem, o sentimento é movido pela frustração. Marcelinho Paraíba, à época com 27 anos, vivia a expectativa de ser convocado para a Copa, o ex-jogador, confessa hoje que passava pelo seu melhor momento profissional.

“Eu estava vivendo a minha melhor fase profissional desde 2001. Nas eliminatórias, o Brasil vinha de uma situação não muito favorável. Na época, era muito difícil para o jogador conseguir uma vaga na seleção, teria de ter mantido uma regularidade individual de, no mínimo, duas temporadas. Lembro-me que, em 1999, dei início uma sequência de três temporadas apresentando um bom futebol, sabia que a minha convocação para a seleção estava bem próxima”, comentou.

De fato a confissão de Marcelinho fez sentido. Em 2001, ele foi convocado pela primeira vez, para um amistoso com o Panamá, partida preparatória para encarar o Paraguai, nas eliminatórias. Posteriormente, jogou seis partidas eliminatórias, com um gol marcado, teve atuações destacadas contra o Paraguai, Argentina, Chile e Venezuela. Porém, o atacante foi preterido pelo técnico Luiz Felipe Scolari que levou os atacantes Ronaldo, Luizão, Edilson e Denilson para o Mundial.

“Em nenhum momento passou pela minha cabeça a possibilidade de não ser convocado para a Copa. Na partida contra a Venezuela, que garantiu a participação do Brasil no mundial, na concentração, o técnico Felipão conversou comigo e com Ronaldinho Gaúcho, garantindo que se caso conseguíssemos a classificação, consequentemente, já estaríamos na lista final de convocados para a Copa. Apesar da promessa, não fui sequer convocado para os três últimos amistosos preparatórios e quando vi que o meu nome não estava entre os convocados, a frustração foi inevitável”, confessou.

Embora não estivesse no grupo de jogadores que conquistou o penta, o ex-atacante viveu emoções que passaram por expectativas, frustrações e felicidade por ter acompanhado a conquista do 5º troféu mundial. Mas apesar da ausência na Copa, Marcelinho admite não guardar mágoa do ex-técnico da seleção brasileira, Luiz Felipe Scolari.

“Apesar de tudo não guardo nenhum sentimento de mágoa. Ainda não tive a oportunidade de perguntar ao Felipão o porquê da minha não convocação (risos). Já se passaram vinte anos e eu não tive a oportunidade de reencontrá-lo, mas ele foi quem me deu a oportunidade de ter vestido a camisa da seleção brasileira, apesar dos pesares, sou grato por tudo”, disse.

E você, onde estava justamente na manhã do dia 30 de junho de 2002? Certamente um dia antes, você vivia a expectativa de acordar cedinho na esperança de ver a seleção conquistar o penta. E hoje, dia 30 de junho de 2022, revive as emoções de vinte anos atrás, daquela manhã de domingo, no Brasil, ao comemorar os dois gols de “Ronaldo Fenômeno", que sacramentou a vitória para cima dos alemães, por 2 a 0, e o quinto mundial de futebol para as cores verde e amarela.

A trajetória do penta

A esperança do brasileiro para penta era uma incógnita. A campanha sofrida nas eliminatórias, com a vaga garantida no mundial apenas na última rodada, deixou a torcida brasileira com o pé atrás. O torcedor ainda carregava a frustração de quatro anos antes, ter desperdiçado a chance de conquistar o penta, no Mundial da França, contra os anfitriões. No entanto, sete jogos depois, o mundo presenciou a “remontada” de Ronaldo e a conquista do tão sonhado pentacampeonato.

Todos os jogos do Brasil, na primeira fase, foram realizados na Coreia do Sul. No grupo C, ao lado de Turquia, Costa Rica e China, os selecionados de Felipão estrearam no dia 3 de junho, no Munsu Stadium, em Ulsan. Vitória por 2 a 1, para cima da Turquia com gols de Ronaldo e Rivaldo. Na segunda partida, Roberto Carlos, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo marcaram os gols da vitória por 4 a 0, contra a China no Jeju Word Cup Staduim, em Seogwipo, no dia 8 de junho. Por fim, no dia 13 de junho, fechou a fase de grupos vencendo a Costa Rica por 5 a 2, no Suwon Word Cup Stadium, em Suwon, com dois gols de Ronaldo e outros de Edmílson, Rivaldo e Júnior.

Nas oitavas de final, no dia 17 de junho, mediu forças com a Bélgica. O torcedor só conseguiu soltar o grito de gol aos 22 minutos do segundo, com Rivaldo marcando o primeiro gol. Nos minutos finais, Ronaldo marcou o seu quarto gol na Copa e sacramentou a vitória brasileira, no Kobe Wing Staduim, em Kobe, Japão.

As quartas de final proporcionou um dos jogos mais dramáticos da Seleção, no Shizuoka Satadium Ecopa, em Shizuoka, no Japão. Naquela madrugada de 21 de junho, o adversário era a Inglaterra, que abriu o placar com Michael Owen, aos 23 minutos, mas no fim do primeiro tempo viu Rivaldo empatar. Na etapa final, o icônico gol de falta de Ronaldinho Gaúcho decretou a vitória por 2 a 1 e o avanço para a fase seguinte.

Assim como na fase de grupos, o Brasil reencontrou a Turquia na semifinal, no dia 26 de junho, no Saitama Stadium 2002, em Saitama, no Japão, e sofreu para vencer. O gol que garantiu a presença na final foi marcado por Ronaldo, aos 4 minutos do segundo tempo. Antes mesmo de conquistar o penta, o Brasil já fazia história ao chegar, pela primeira vez, à disputa de final em três Copas consecutivas.

O Internacional Stadium, em Yokohama, no Japão, foi o palco da grande final. Na manhã domingo, 30 junho, novamente o Brasil teria a segunda chance de conquistar o hexa, contra um adversário que, até então, jamais havia enfrentado na história das Copas. Ronaldo, que um ano antes, enfrentava o pior momento da carreira, com a segunda cirurgia no joelho, era tido como um ex-jogador, mas foi justamente nessa Copa que deu a volta por cima marcando os dois gols na finalíssima, na vitória por 2 a 0, contra a Alemanha. Ronaldo foi o artilheiro, com oito gols, ganhou a alcunha de “Ronaldo Fenômeno", Cafu levantava o troféu do pentacampeonato e os antes, desacreditados selecionados de Felipão, entravam para a história , a última Copa conquistada pelo Brasil.

O desafio do hexa

Passados vinte anos da conquista do pentacampeonato, o objetivo, eventualmente, passou a ser a luta pelo hexacampeonato mundial. Porém a seleção brasileira esbarrou no caminho, quando enfrentou equipes europeias e sequer conseguiu avançar, além das quartas de final.

Em 2006, na Alemanha, foi eliminada pela França, derrota por 1 a 0. Em 2010, acabou eliminada para a Holanda, na África do Sul. Em 2014, viveu o seu maior vexame na história das Copas, foi goleado pela Alemanha, por 7 a 1, e acabou eliminado, na Copa do Brasil. Na Copa da Rússia, em 2018, foi a vez de a Bélgica recolocar o fantasma das quartas de final no caminho da seleção brasileira, novamente derrota para uma seleção europeia e quatro edições de mundial com eliminações na fase de quartas de final.

Preterido por Felipão na Copa de 2002, Marcelinho Paraíba acredita que nesta Copa do Qatar, o Brasil tem grandes chances de levantar o troféu pela sexta vez. Mas ele chama a atenção para as seleções que podem cruzar pelo caminho e atrapalharem a conquista do hexa.

“Ainda não conseguimos conquistar o hexa por detalhes, faltou mais vontade de dedicação aos grupos que representaram o nosso país nas últimas Copas. Estou confiante na conquista do hexa, na Copa do Qatar, mas é preciso abrir o olho para os adversários. Coloco a França e a Inglaterra com seleções fortes, temos um grupo com qualidade e é preciso mostrar isso dentro de campo. Estamos na fila há vinte anos, já chegou o momento de conquistarmos mais uma estrela”, finalizou.

O Brasil vai disputar a sua 22ª Copa do Mundo pelo grupo G, que conta com Camarões, Sérvia e Suíça. A saga pela conquista do hexa, na Copa do Qatar 2002, tem início agendado para o dia 24 de novembro, contra a Sérvia. O atual grupo da seleção de Tite não é um time sem defeitos, fez uma campanha impecável nas eliminatórias, foi detentor da melhor defesa da competição e, se ainda não encanta em todos os jogos, tem maturidade para vencer partidas quando não está nos seus melhores dias.

No mês de novembro, os selecionados de Tite para a Copa, terão de minimizar os erros e, principalmente, exorcizar o fantasma das quartas de final e seguir adiante na luta pela conquista do hexa.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa de 30 de junho de 2022.

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