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Leite humano: campanha estimula doações na PB

Data representa momento de sensibilização e mobilização da sociedade sobre a importância da doação

por publicado: 19/05/2022 08h50 última modificação: 19/05/2022 08h50
Foto: Reprodução/Rádio Tabajara

Foto: Reprodução/Rádio Tabajara

por Juliana Cavalcanti*

Hoje é o Dia Nacional e Mundial de Doação de Leite Humano, celebrado em todo o país. A campanha é produzida pelo Ministério da Saúde em parceria com a Rede Global de Bancos de Leite Humano, liderada pelo Brasil, por meio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a fim de estimular a doação de leite materno, mobilizar população, gestores, profissionais de saúde e mulheres que amamentam para a relevância da doação.

Na Paraíba, o Banco de Leite Anita Cabral promove amanhã, das 9h às 11h, o Encontro Estadual de Doadoras de Leite Materno. A reunião ocorre, simultaneamente, com a Maternidade Cândida Vargas, em João Pessoa. A programação também será realizada em Guarabira, Campina Grande, Patos, Sousa, Cajazeiras e Santa Luzia.

A expectativa é que aproximadamente 50 doadoras e seus bebês compareçam ao evento. Segundo a gestora, será a oportunidade em que todos os bancos e postos irão receber doadoras. Durante a manhã, visitarão o banco de leite para compreender desde o processamento do leite materno, até a distribuição final aos bebês prematuros.Também poderão se encontrar com as mães e bebês que receberam o leite doado.

Para hoje, está prevista a inauguração dos postos de coleta de leite com o governador da Paraíba, João Azevêdo, em Catolé do Rocha pela manhã. À tarde, a Paraíba será um dos participantes do Fórum Internacional de Cooperação Técnica da Rede de Bancos de Leite. Já amanhã, ocorre a inauguração de mais um posto de coleta em Monteiro.

Queda nas doações

Em 2020, durante o primeiro ano da pandemia da Covid-19, as doações foram mantidas em níveis regulares, mas em 2021, houve uma queda significativa em todo o estado. Neste sentido, a diretora reforça a necessidade de restabelecer os estoques.

O Banco de Leite Anita Cabral faz parte da Maternidade Frei Damião e é um centro de referência no Nordeste. Recebe as doações, distribui para vários hospitais do estado, além de oferecer assistência em amamentação e acompanhamento das doadoras.

A doação de leite materno tem o objetivo de auxiliar na recuperação de bebês prematuros e de baixo peso, internados em UTIs neonatais das maternidades. Para que as unidades fiquem abastecidas e não falte leite, se uma delas estiver com falta, a rede colabora mandando esse material.

Essa parceria acontece para evitar que a criança se alimente com a chamada fórmula infantil ou leite artificial, que é industrializado. Por essa razão, nos hospitais com postos de coleta de leite, as mães doam e quando essas unidades precisam de leite, também terão acesso pela mesma rede.

O atendimento do Anita Cabral contempla toda a Região Metropolitana de João Pessoa, e como é um serviço de porta aberta, pode atender às mulheres de qualquer local, caso tenham dificuldades na amamentação.

Na PB, são 480 doadoras

Na capital, o Banco de Leite Anita Cabral coletou, entre os meses de janeiro e abril deste ano, 2.666 litros de leite. Ao todo, são 1.950 doadoras e 3.006 receptores. A unidade realizou 34.982 atendimentos individuais e, até abril de 2022, distribuiu 1.709,5 litros de leite aos hospitais paraibanos.

O Anita Cabral faz visitas domiciliares para receber as doações, sendo 3.301 realizadas até o mês passado. De acordo com a diretora-geral do banco de leite, Thaíse Ribeiro, a atual média mensal de doações no Estado é de 480 doadoras por mês.

Cerca de 500 litros de leite são coletados mensalmente, com uma distribuição de aproximadamente 250 litros. “Existem períodos com mais dificuldade. No Nordeste, isso é bem comum nas festas juninas e em julho. No Brasil como um todo, são os meses de dezembro, janeiro e fevereiro que ocorre a queda do estoque”, explica.

Segundo Thaíse Ribeiro, o Anita Cabral possui rota de coleta domiciliar em toda a Região Metropolitana. Portanto, vai à casa da mãe para deixar o material para a coleta e semanalmente comparece para receber o leite doado. Embora exista a opção de ir ao banco de leite para doar e receber orientações ou em qualquer maternidade com posto de coleta, a opção de ir até a casa da mãe é uma forma de trazer mais comodidade, principalmente às puérperas (pós-parto).

Pasteurização e controle de qualidade 

Foto: Evandro Pereira

O leite materno que será recebido pelos profissionais precisa ser armazenado em frascos de vidro de boca larga e tampa de plástico, mandados para a casa das mães já esterilizados.

Já no banco de leite, passa por um processo que envolve análise, pasteurização e controle de qualidade antes da distribuição às unidades neonatais.“Esse leite chega, passa por uma higienização e é colocado em um freezer, onde alguns frasquinhos podem ter várias fases, com cores diferenciadas porque a mãe pode coletar mais de uma vez, enchendo esses potes e guardando no congelador”, observa a diretora.

A pasteurização consiste em um choque térmico do leite, entre uma temperatura alta (65 graus) e uma temperatura mais baixa (5graus), a fim de inativar os microrganismos infecciosos. “O leite sai da mãe com microrganismos que o bebê dela tem que receber para criar anticorpos. Só que ao guardá-lo para um bebê prematuro de UTI, precisa ter cuidado para não se contaminar, porque o sistema imunológico dele ainda está sendo formado. Garantimos que esse leite tenha boas características nutricionais e imunológicas”, justificou Thaíse Ribeiro.

Após a pasteurização, são retiradas várias amostras para testes de seleção e classificação em laboratório, para verificar se os microorganismos foram inativados além de estabelecer a classificação com os dados do alimento.

Essas características são descritas nos frascos para que o nutricionista e o neonatologista saibam qual é o mais adequado ao bebê que tenha a necessidade de determinadas substâncias. “O leite materno é um alimento vivo que modifica a cada tempo que a mãe retira. A mesma mãe retirando o leite em várias horas do dia, vai ser um leite diferente”, definiu a gestora.

Cândida Vargas tem 85 cadastros ativos

No Instituto Cândida Vargas, em João Pessoa são recebidos em média 70 a 90 litros de leite por mês. São 85 cadastros ativos de doadoras, mas a expectativa é que com a campanha dessa semana, esse número aumente. A preocupação é com a proximidade do meio do ano quando famílias vão para as festas juninas ou tiram férias.

Conforme a diretora multiprofissional, Aline Soares, na maternidade, a semana em comemoração ao Dia Nacional de Doação de Leite Humano é uma mobilização destinada tanto ao público externo e as pacientes para arrecadar leite e potes de vidro com tampa plástica (não pode metal para evitar oxidação) para a coleta. “A gente pede para as mães, que estão amamentando, doarem como para a população em geral, contribuir com os vidros. Além de arrecadar leite e conscientizar a sociedade é ainda uma forma de agradecimento às mulheres que já são nossas doadoras”, informou. A programação no Cândida Vargas teve início na última segunda-feira (16) e segue até amanhã (20). Para hoje, estão previstos um café da manhã com as doadoras, além da intensificação da campanha junto às puérperas da maternidade.

Amanhã, acontece a palestra Doação de Leite Humano: O que podemos fazer mais? e por último uma homenagem às doadoras. O leite é destinado aos recém-nascidos da UTI Neonatal. A unidade também adota a Rota do Leite, em casa. Assim, as mães podem ligar para os números (83) 9 8795-8192 e 3214- 1390. Esse mesmo número vale também para fazer a doação dos potes em horário comercial.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa de 19 de maio de 2022

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