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Na Paraíba: 78% dos mortos por Covid não tinham sido vacinados

Desde o início da imunização, estado perdeu 6.306 vidas para a doença

por publicado: 23/05/2022 09h23 última modificação: 23/05/2022 09h23
Foto: Roberto Guedes

Foto: Roberto Guedes

por Ana Flávia Nóbrega*

Em março de 2020, toda a população mundial passou a conhecer o novo coronavírus. Entre muitas dúvidas a respeito do próprio vírus e da doença causada por ele, a população precisou se proteger e ainda lidar com uma onda de negacionismo dos que se posicionaram contrários às medidas de segurança contra o adoecimento e propagação do vírus.

Foi também em março de 2020 que a Paraíba teve a confirmação dos primeiros casos e primeiro óbito em decorrência do agravamento da Covid-19. Até chegar em 19 de fevereiro de 2021, quando a Paraíba iniciou a vacinação para imunizar contra a Covid-19, o Estado já registrava 3.912 vítimas fatais da doença. Agora, após mais de 485 dias desde a primeira dose aplicada, o estado acumula 10.218 óbitos.

Do total, 6.306 falecimentos aconteceram desde a primeira dose aplicada até o dia 19 de maio de 2022. Destes, a maior concentração de mortos foi entre a população não vacinada, diretamente afetada pela onda de negacionismo contra a eficácia da vacina, com o montante de 67,71%, que equivalem a 4.270 mortes pelo agravo da Covid-19. Considerando ainda os números totais, desde março de 2020, 78,65% das mortes pela doença atingiram a parcela da população paraibana não vacinada.

Nessa faixa, há uma grande concentração de doenças associadas, consideradas comorbidades. Foram observadas a presença de cardiopatia (3.069 pessoas), diabetes mellitus (2.506), hipertensão (2.343), obesidade (929), doença neurológica (574), doença respiratória (511), doença renal (473), tabagismo (342); imunossupressão, doença hematológica, neoplasia, doença hepática, etilismo e transtorno mental também foram observados em outros 850 pacientes, no total.

Entre as faixas etárias, a maior concentração de falecimentos foi entre a faixa acima de 80 (1.795), acima de 70 (1.646), acima de 60 (1.511), acima de 50 (1.390) e acima de 40 anos (961), com grande volume.

Comorbidades associadas ao adoecimento 

Desde o início da vacinação na Paraíba, 16,86% das mortes aconteceram entre a população vacinada com primeira e segunda dose ou dose única, ciclo primário completo, equivalente a 1.063 vítimas. Na amostragem total do número de falecimentos, desde março de 2020, o número representa 10,40%.

Neste recorte, as vítimas apresentaram uma grande concentração de comorbidades associadas ao adoecimento da Covid-19, o que deixa a população mais suscetível ao desenvolvimento de casos graves e óbitos. Foram registradas as patologias de cardiopatia (504 registros), diabetes mellitus (386), hipertensão (303), obesidade (108), doença neurológica (105), doença respiratória (84), tabagismo (64), doença renal (59), neoplasia (36), etilismo (25), imunossupressão (23), doença hematológica (20), doença hepática (7) e transtorno mental (4).

Entre os vacinados com esquema completo, o maior número de vítimas foi entre a população acima de 80 anos, com 458 vítimas; em seguida, 323 pessoas entre 70 e 79 anos; 191 pessoas entre 60 e 69; já entre 50 e 59 anos, foram vítimas 49 pessoas; entre a população acima de 40 anos, há o registro de 18 vítimas; de 30 a 39 foram 17 pessoas; de 18 a 29 anos, há o registro de sete mortes.

973 óbitos aconteceram após primeira dose

Outro recorte é a população que veio a óbito após ter recebido apenas uma dose dos imunizantes contra a doença, totalizando 973 vítimas, o que representa 15,43% do total das vítimas por Covid-19 desde o início da imunização na Paraíba.

Os maiores acometidos também estão entre as faixas etárias acima dos 50 anos e maior incidência entre a população acima de 80 anos. Comorbidades como cardiopatia (402), diabetes mellitus (326), hipertensão (323) e obesidade (128) estão entre as doenças associadas à Covid-19 que mais fizeram vítimas entre a população com esquema incompleto.

Os menores números são observados entre a população vacinada com duas doses e com o recebimento de dose de reforço. Vale lembrar que o reforço da imunização foi iniciado ainda em dezembro de 2021 e, mesmo com o pico de novos casos, internações e óbitos causados pela chegada da variante Ômicron, foram registrados 144 falecimentos entre a população que recebeu o reforço, representando 2,28% do total. Sendo, portanto, a menor população atingida pelo desenvolvimento de quadros graves e óbitos desde o início da vacinação.

Entre as vítimas foi observada a incidência de cardiopatia, observada em 54 pacientes, diabetes mellitus (47), hipertensão (34), doença neurológica, doença respiratória, doença renal, obesidade, tabagismo, neoplasia, imunossupressão, doença hematológica, doença hepática e etilismo somam 54 quadros observados. As vítimas se concentram, com maior incidência, entre a população acima de 80 anos (75), acima de 70 (48) e acima de 60 (14). Fora dessas faixas etárias, ocorreram sete mortes, sendo uma entre a população de 18 a 29 anos; uma de 40 a 49 anos; e cinco de 50 a 59 anos.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa de 22 de maio de 2022

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